Texto – Por que no céu há tantas estrelas?

   O texto narrativo
Por que no céu há tantas estrelas? é um texto narrativo, isto é, um texto no qual são narrados, contados fatos e acontecimentos imaginários ocorridos a personagens.
Os principais elementos de uma narrativa são:
• as personagens – quem vive os acontecimentos da história.
• o tempo – quando a história acontece.
• o espaço – lugar em que a história acontece.
• as ações – o que as personagens fazem.
• o narrador – quem conta a história.
Quando a história é contada por uma de suas personagens, dizemos que o narrador é em 1ª pessoa ou narrador-personagem. Quando não participa da história é chamado de narrador em 3ª pessoa ou narrador-personagem.
Nas narrativas há geralmente uma personagem principal – também chamada protagonista – que costuma agir com o objetivo de realizar um desejo ou vencer um obstáculo.
Todos os povos do mundo têm suas histórias tradicionais: são lendas e mitos, isto é, narrativas simbólicas sobre a origem de fenômenos da natureza, de costumes sociais dentre outros. Estas narrativas são frequentemente centralizadas em seres encantados, humanos ou não.
A origem destas histórias – que são anônimas – perde-se no tempo de tão antigas que são. Transmitidas oralmente de geração em geração, a maioria delas só ganhou registro escrito muito mais tarde.
Por que no céu há tantas estrelas?
TALVEZ VOCÊ JA TENHA FEITO A PERGUNTA ACIMA QUE DÁ TÍTULO AO TEXTO QUE VOCÊ VAI LER A SEGUIR. VAMOS VER QUE RESPOSTA ELE PROPÕE?
        Esse índio Karajá amava a natureza e mais que tudo os animais e os pássaros, com os quais falava, usando a linguagem deles.
       Certa manhã, olhando um bando de papagaios que voava bem alto, se deu conta que o firmamento estava vazio. Nenhum astro o embelezava. O clarão do dia, especialmente sob a canícula, tornava o céu cinzento.
– Por que o céu é assim tão vazio? – perguntou o Karajá aos pássaros que estavam na árvore próxima. Mas eles fingiram que não entenderam sua pergunta, embora a voz lhes fosse tão familiar. O índio, com voz forte e quase lancinante, perguntou de novo:
–  Por que o céu é assim tão vazio? – respondam-me, por favor!
A raposa antecipou-se e disse, em tom quase de acusação:
– Foi o urubu-rei, rei das alturas, que roubou as estrelas para enfeitar o penacho em sua cabeça e torná-lo assim ainda mais resplendente.
Ao ouvir isto, o índio Karajá decidiu tirar a limpo a questão com o urubu-rei. Tomou suas armas e procurou o refúgio onde ele se aninhava. Ao vê-lo aproximar-se, disse logo o urubu-rei:
– Você é quem veio desafiar-me? Você não conhece, pequeno homem, a força de minhas garras e de meu bico. Em poucos minutos, posso abrir suas veias e deixá-lo em pedaços.
O Karajá, que sempre mostrara coragem e que, no fundo, amava os animais, deixou cair as armas. E avançou sobre o urubu-rei. Houve uma luta longa e sanguinolenta. Se o urubu-rei tinha força, o Karajá tinha habilidade para evitar os cortes profundos das garras e das bicadas potentes. Depois de longa luta, rolando pelo chão entre penas e gritos, ambos estavam extenuados. Até que o Karajá conseguiu imobilizar o urubu-rei, prendendo-lhe as pernas e segurando-lhe, fechado, o bico.
Se quiser recuperar a liberdade – disse, triunfante, o Karajá – entregue a luz que escondeu em seu penacho na cabeça e nas plumas do corpo. O Criador colocou as estrelas no firmamento para embelezar a noite e não para alimentar a sua vaidade.
Mas o rei das alturas, que detinha também o segredo da eterna juventude, não quis saber de renunciar às luzes que tornavam sua plumagem tão fascinante. De que valeria ser eternamente jovem se continuasse sem atrativos e feio?
Cansado de esperar uma decisão do urubu-rei, o Karajá começou a tirar as penas de sua cabeça. Cada pena que lançava no ar se transformava numa estrela do firmamento.
Arrancou depois um chumaço e o lançou ao alto e irromperam os astros que os Karajá chamam de “olhos espantados do peru” – Alfa e Beta do Centauro. Com outro chumaço, os “sete papagaios” – as Plêiades.
Com outro ainda, os “olhos dos homens” – Alfa e Beta do Cruzeiro do Sul. Por fim, quando arrancou mais um monte de penas e o lançou ao céu, apareceu “o caminho das estrelas” – a Via-Láctea.
Mas as penas mais brilhantes permaneciam ainda na cabeça do urubu-rei. Quando o Karajá conseguiu tirá-las e lançá-las ao alto, o céu se encheu de um brilho terno e doce. Era a lua cheia. Logo depois se acendeu um grande tição de fogo, que iluminou todo o céu e esquentou os dias. Nascia o sol.
Mas, considerando aquele grande esplendor, o índio Karajá disse de si para consigo:
– Bom seria se o sol, por respeito ao brilho tênue das estrelas e à timidez da lua, se escondesse um pouco.
O sol ouviu este sussurro do Karajá e lhe atendeu o desejo. Por isso, à noite ele se esconde. Assim, as estrelas podem mostrar a beleza de seu brilho e a lua revelar a suavidade de sua luz.
O urubu-rei, com a chegada da noite, aproveitou para fugir. Agora não ostentava mais, como nos tempos remotos, um penacho brilhante e um pescoço luzidio. Sua cabeça parecia uma casca de laranja cortada e seu pescoço um ramo seco.
Mas ao fugir, gritou, em tom de deboche, ao karajá:
– Você me tirou as penas, mas conservo ainda o segredo da eterna juventude.
E para fazer raiva ao índio, pronunciou o segredo com voz, sussurrante, imaginando que ninguém estivesse por perto para ouvi-lo. Ocorre que o Karajá não ouviu direito, mas os pássaros e as árvores ouviram as frases principais.
Por isso, eles aprenderam a conservar, até os dias de hoje, o segredo da perene juventude: de tempos em tempos, as aves do céu sempre renovam suas penas e as plantas, suas folhas.
E o índio Karajá continua sendo lembrado quando a tribo, à noite, se reúne ao redor do fogo, para ouvir os antigos contarem as estórias do céu e da terra, do sol e da lua, das estrelas e do firmamento. E olham, deslumbrados, para a grandiosidade majestática do céu estrelado. E quando o fogo se apaga, eles se calam reverentes. E um a um se recolhem, calmamente, carregando o céu estrelado dentro de seu coração. Deitam-se nas redes e dormem com grande serenidade.
   Adaptado de: BOFF, Leonardo. O casamento entre o céu e a terra.  Rio de Janeiro: Salamandra, 2001. p. 15-7.
VAMOS ENTENDER O TEXTO
Responda:
a) Quais são as personagens?
b) Qual é o local em que ocorrem os fatos principais?
c) Quando ocorrem os fatos principais?
d) Que tipo de narrador está presente no texto?
2) Qual o grande desejo de Karajá?
3) Quais das características do índio Karajá, listadas abaixo, ajudaram-no a derrotar o urubu-rei?
Coragem – Rapidez – Juventude – Esperteza – Egoísmo – Medo
4) Para atingir seu objetivo, o Karajá agiu sozinho ou teve ajuda de alguém?
5) Complete o trecho abaixo baseando-se no combate entre o Karajá e o urubu-rei:
a) O índio Karajá decidiu tirar a limpo a história do vazio firmamento. Tomou suas armas e procurou ____________ .
b) Mas o urubu-rei, desafiador, disse-lhe que em poucos minutos podia _____________ .
c) O Karajá, que sempre mostrara coragem e que, no fundo, amava os animais _____________ .
d) O urubu-rei tinha força, mas Karajá tinha habilidade para evitar _____________ .
e) Depois de longa luta, o Karajá conseguiu imobilizar o urubu-rei, prendendo-lhe _________ .
6) Depois de imobilizar o urubu-rei, o que o Karajá fez?
7) Numere os fatos abaixo, colocando-os na mesma sequência em que aparecem na narrativa.
(    ) As penas mais brilhantes ainda permaneciam na cabeça do urubu-rei.
(    ) O urubu-rei perguntou a Karajá se ele tinha vindo desafiá-lo.
(    ) Cansado de esperar uma decisão do urubu-rei, o Karajá começou a tirar as penas de sua cabeça.
(    ) O Karajá disse ao urubu-rei que ele devia entregar a luz que escondeu em seu penacho na cabeça e nas plumas do corpo.
(    ) O índio Karajá decidiu tirar a limpo a questão com o urubu-rei.
(    ) Para fazer raiva ao índio, o urubu-rei pronunciou seu grande segredo com voz sussurrante.
(   ) Karajá se deu conta de que o firmamento estava vazio.
8) O desfecho da história é de sucesso ou de fracasso? Explique sua resposta.
CONEXÃO COM ANTROPOLOGIA
O povo Karajá
Os karajás habitam há séculos as margens do rio Araguaia, principalmente na ilha do Bananal, no estado de Tocantins. suas casas são construídas à margem do rio e, a certa distância da aldeia, fica a Casa dos Homens, que as mulheres não podem frequentar. É lá que os homens se reúnem para tomar decisões e que os jovens aprendem os mitos e rituais.
Quando os meninos Karajá chegam à idade de 7 anos, seu lábio inferior é perfurado com osso de guariba (espécie de macaco). Entre os 10 e 12 anos, eles passam por mais um ritual de iniciação masculina: são pintados com jenipapo (fruta) e ficam confinados durante sete dias numa casa chamada Hetohoky (Casa Grande).
Já as meninas são iniciadas na vida adulta na primeira menstruação. Depois de passar um tempo isoladas, reaparecem em público. Adornadas por pinturas corporais e enfeites plumários, elas vão dançar numa festa de grande prestígio.
PRÁTICAS DE LINGUAGEM
1) O urubu-rei da lenda é um ser fabuloso, imaginário: com a força de suas garras e do bico é capaz de cortar em pedaços o jovem Karajá. As imagens a seguir mostram outros seres que pertencem à fábulas e mitos conhecidos. Associe-os com suas respectivas descrições.
1) 
2) 
3) 
4) 
5) 
(    ) Seu corpo é metade peixe, metade mulher. possui um canto belíssimo e irresistível que hipnotiza os navegantes e provoca o naufrágio das embarcações.
(     ) Sua cabeleira é formada por serpentes. Quem a fitar nos olhos é transformado em estátua de sal.
(     ) Tem nove cabeças de serpente, se uma delas for cortada, nascem duas outras no lugar. Sua picada é fatal, pois não existe antídoto contra seu veneno.
(     ) Gigante com um olho só no centro da testa. Tem uma força descomunal: é capaz de esmagar um homem com as mãos.
(     ) Tem cabeça de mulher, corpo de leão. Cria enigmas difíceis de decifrar. quem não decifra um enigma que ela propõe é devorado.
Respostas
Vamos entender o texto
1)
a) O índio Karajá, o urubu-rei, a raposa e os outros animais.
b) A mata onde vivia o índio Karajá.
c) No dia do combate final entre o índio Karajá e o urubu-rei.
d) Narrador-observador.
2) Ver o sol, a lua e as estrelas no céu.
3) Coragem; rapidez e esperteza.
4) O Karajá teve ajuda da raposa, que lhe contou que o urubu-rei roubara as estrelas para enfeitar o penacho em sua cabeça.
5)
a) o refúgio onde o urubu-rei se aninhava.
b) abrir as veias do Karajá e deixá-lo em pedaços.
c) deixou cair as armas e avançou sobre o urubu-rei.
d) os cortes profundos das garras e das bicadas potentes do adversário.
e) as pernas e segurando-lhe, fechando o bico.
6) Começou a arrancar-lhe as penas, jogando-as no firmamento para que se transformassem em astros outra vez.
7)
(6)
(3)
(5)
(4)
(2)
(7)
(1)
8) O desfecho é de sucesso, porque o Karajá conseguiu devolver os astros ao firmamento, de onde tinham sido tirados pelo urubu-rei.
Práticas da linguagem
(3)
(2)
(5)
(1)
(4)

No Comments

Faça um comentário

Está com dúvidas ou precisando de ajuda?

Entre em contato será um prazer te ajudar!